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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Roots Rock Riot (Skindred, 2007)

Compor músicas mesclando melodias de reggae, bases de metal, andamento punk rock e elementos de hip-hop soa criminoso, certamente. Mas o crime é perfeito.

O problema do primeiro álbum do Skindred é que ele irretocável. Fica claro que os caras penaram até conseguir juntar tantos gêneros musicais em faixas que funcionam tão bem. Depois de um trabalho tão bem feito, o que você faz no álbum seguinte? Como se superar?

Roots Rock Riot me decepcionou no começo por soar muito aquém de Babylon (2002). Tudo parecia muito mais simples — e perigosamente próximo do hardcore. Não restou quase nada do hip-hop e o reggae ficou restrito à performance vocal.

Acabei deixando o álbum de lado, mas creio que ele esteve cozinhando no meu subconsciente e voltou para me assombrar há algumas semanas. E só então as coisas clicaram: depois de fazer algo insuperável, a banda resolveu desfazer tudo e inventar algo novo.

Vez ou outra me pego cantando State of Emergency, todo dia. Não exatamente cantando a letra; perceba que a música já começa com o vocalista e ele não pára um segundo. Não tem pausa para solo, nada. Letra do início ao fim. (Some a isso o sotaque semi-compreensível e a dificuldade para cantar junto assume ares olímpicos. Mas vá lá: ao menos, a melodia é fácil.)

Cause Ah Riot causa vontade automática de pular, deve ser lindo tocar isso num show. Mesmo com o hardcore mostrando sua cara feia. RatRace e Alright também têm seu charme, mas você não vai aproveitar muito do álbum se não tiver gostado dessas duas:

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Questão de Gosto 1: Imagine

Continuo odiando Beatles ou John Lennon ou qualquer coisa desse balaio. E continuo defendendo que meu ódio não é pelas músicas, mas pelo modo como as tocavam — essa coisa "Nós somos felizes, nós somos fadas, o mundo é lindo" —, porque não soa como alegria incontida e contagiante, mas como alegria enlatada, conformada. "Estamos todos comendo merda, não é ótimo?" Não tem nada a ver com as letras, estou falando do modo como as músicas soam. Aliás, não tenho que justificar nada: eu não gosto.

Mas sou completamente capaz de apreciar essas mesmas músicas quando interpretadas por gente que eu não odeie, vide versão abaixo:


A Perfect Circle, eMOTIVe (2004): Imagine

Há quem diga que a canção foi desfigurada e que o clima não tem nada a ver com a letra, mas acho que está justamente aí a graça. Tirando uma ou outra palavra-chave (peace1, dreamer, sharing2), a letra é quase apocalíptica, como se narrasse o resultado de uma guerra que devastou o mundo inteiro. "Imagine que não há Paraíso... nem Inferno... acima, apenas o céu... pessoas vivendo apenas pelo presente. Imagine que não há nações... ninguém para matar ou por quem morrer... nenhuma religião."

1 Lembrando daquela idéia de que o homem só encontra paz verdadeira no túmulo.

2 Lembrando que "sharing" é eufemismo para pirataria, um dos piores tipos de crime já inventados na história. Foi o que o Metallica disse.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Something WICKED

Longe de mim afirmar que o tio Bruce sabe o que está fazendo, sou apenas um fanboy. Confesso até que o trailer de Chemical Wedding não me inspirou muita confiança, mas as cabeças por trás do filme no mínimo despertam curiosidade. Bruce Dickinson (ou Deus, para quem ainda não foi apresentado) escreveu o roteiro em parceria com Julian Doyle (que também dirige). Não estou muito familiarizado com esse Doyle, mas as lendas afirmam que ele trabalhou com Monty Python — inclusive, tem o dedo de Terry Jones e a participação especial de alguns pythons na história.

A trilha sonora foi escolhida a dedo pelo mestre e conta com clássicos do Maiden e da carreira solo, entre outras coisas. (Sem muita surpresa, percebe-se que a música Chemical Wedding também está presente.) E o melhor de tudo é: está pronto! Eis a parte boa de saber das coisas com atraso. A première vai ser no próximo 4 de Maio.

E eu só descobri tudo isso porque queria saber como diabos era a capa do single Back from the Edge. [Que ainda não sei como é.]

domingo, 16 de março de 2008

For those about to rock

Mais uma vez, me encantando com alguma peripécia online. Pandora foi pro saco, só funciona no Brasil com proxy. (Ninguém quer nem saber o que é "proxy", quanto mais usar...) MP3tunes serviu de quebra-galho, como alternativa às rádios online, mas é um serviço truncado (e você gasta tanto tempo abastecendo quanto passa ouvindo). Streampad é simpático e até prático, mas tão incerto quanto sair caçando rádios anônimas por aí.

Enquanto não encontro uma solução para ouvir o que eu quiser onde quer que esteja*, brincarei com o Singing Box. Essa caixinha ali do lado é uma das aparências possíveis; cliquem, testem, digam se funciona para vocês. (Demora a carregar as músicas? Talvez eu deva diminuir a qualidade. Não gostou de nenhuma? Culpe o meu gosto, não há nada mais que eu possa fazer.)

Até encontrar os problemas que inevitavelmente surgirão, estou hospedando as músicas no MediaMax – o Singing Box aceita qualquer lugar que ofereça um link permanente para download (shame on you, 4shared). Mas ele não guarda nada, só organiza a lista e toca.

Se alguém conhece uma solução melhor para fazer o mesmo, levante a mão.

* E tenha um computador. E acesso à Internet. E um chefe compreensivo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Tool, Lateralus (2001): Parabola (video)

Nem sei como descrever esse vídeo. É tanta bizarrice junta que passa do limite aceitável – passa tanto que começa até a fazer sentido. A parte introdutória da música propicia todo um clima de reflexão e seriedade, mas quando o boneco começou a flutuar, eu já estava rindo muito.



[Pois é, algumas partes são bem escuras. Ajudaria se o fundo da página não fosse tão claro, mas no layout do YouTube também fica assim. Paciência.]

Não tenho a mais vaga idéia do que os caras tentaram passar com a animação, ou se tentaram passar alguma coisa, mas a certa altura ela fica serena como a música sugere. (Sugerira, porque agora a bateria já está sendo moída.)

É grande, demora a carregar e a ver, mas você terá no mínimo o consolo de que é bem feitinho, tecnicamente falando. No mínimo. Dá para viajar bastante no simbolismo, mas é possível que aproveite melhor a experiência se não tentar entender com muita força. Não tenha medo, quando começa a ficar perigosamente psicodélico, acaba.

["Sugerira"? Eu hein.]

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Se ainda tiver fôlego, clique neste aqui. O primeiro do Tool que assisti, ainda na época em que as pessoas usavam TVs para ver essas coisas. Foi a lembrança espontânea dele que me fez procurar mais material da banda, poucos meses atrás. Comparado com o de Parabola, o vídeo de Sober é quase didático. (Quase.)

domingo, 12 de agosto de 2007

Same old shit, new crappy suit

Estava lendo um artigo sobre álbuns conceituais e, a certa altura, o Scorpions foi citado com seu lançamento de 2007, Humanity - Hour I. Scorpions? Ainda existe? Digo: eles insistem nisso? Enfim, é domingo, ainda estou de pijamas, não é exatamente o ponto mais produtivo da semana; segui o link para ouvir amostras das novas músicas.

Para quem não lembra do Scorpions, eles são aquela banda cuja maior contribuição para a música foi ficar ao redor do Michael Schenker. Eles também são conhecidos por ter como vocalista um alemão fanho como uma foca. Finalmente, o Scorpions serviu de inspiração para o nascimento de inúmeras entidades voltadas à realização de eventos, como a Scorpions Eventos (destaque para a linda apresentação do website, especialmente o nome espelhado dentro do escorpião) e a Banda Scorpions (porque adicionar "Banda" ao nome é modo mais inteligente de evitar um processo judicial – não que a prioridade dos artistas europeus em geral seja processar bandas de baile de Araranguá/SC).

Se você estiver disposto a baixar Humanity - Hour I para analisar com cuidado o atual estado de evolução do Scorpions, o problema é seu. Eu me limitei a ouvir as amostras do site e já foi muito. Em minha avaliação de 7 minutos, pude constatar que (1) Klaus Meine está menos fanho, o que é o mínimo que ele poderia fazer e (2) eles não têm o menor escrúpulo em tentar explorar o filão do "rock moderno", incluindo bases de metal e um leve toque de canguru music. Alguém por favor ouça a faixa 321 e me diga que é uma música do Scorpions, e não uma tentativa de emplacar nas mesmas rádios que o Three Days Grace. O que é deprimente (para eles; eu não ligo a mínima), porque eles certamente não vão conseguir. É o mesmo caso do Metallica querendo ganhar dinheiro com nu metal, sendo que existem milhares de bandas mais novas (entenda-se: com mais fôlego e mais contato com o público predominantemente teen), mais honestas* e menos chatas.

Diretamente da página com as amostras, podemos extrair a seguinte pérola (tradução livre):

"[Os membros do] SCORPIONS, a mais bem-sucedida [*cof* defina 'sucesso'] exportação musical alemã, estão posicionados para 'picar' mais uma vez e planejam um ataque frontal na artéria musical [como é que é?] de fãs de rock ao redor do globo com seu novo álbum, HUMANITY - HOUR I. 35 anos depois do lançamento de seu álbum de estréia, LONESOME CROW, [Os membros do] SCORPIONS acreditam que tenham atingido um novo pico criativo [*cof-cof-cof*, aah!, morte] em sua impressionante [*cof*] carreira."

Quero crer que isso foi escrito pelo estagiário e que a banda nem chegou a ler o texto do website. (Segundo a lenda, não seria a primeira vez que estariam boiando em algum assunto menor relacionado à banda.)

Buscando no Google mais informações para esculachar o Scorpions de forma consistente, encontrei um tal álbum Unbreakable (2004) que já seguia a mesma linha musical de engordar a aposentadoria fazendo o mesmo que todo mundo está fazendo na MTV. Aparentemente, fez sucesso com os fãs da fase clássica, sob o argumento de ser melhor que o lixo produzido nos anos anteriores [citation needed].

* Pois está claro que o Metallica não é uma banda de honest metal.

domingo, 29 de julho de 2007

Reino do Prejuízo

Alguém nos vende Brinquedos™ em um desenho animado fajuto
Alguém nos vende Carros™ no último filme de James Bond™, em breve nos cinemas
Alguém nos vende Modas™ através de uma estrela de TV
Alguém nos vende a Si Mesmo™ em um reality show que passa dos limites

Vida™ à venda!

Alguém poderia por favor me explicar o que aconteceu? Digo, primeiro pagamos por fast-food que nos deixa gordos e cansados. Depois pagamos por elevadores, para que não precisemos subir os três lances de escada até nossos apartamentos. Aí compramos essas bizarras máquinas Stairmaster™ para queimar calorias enquanto assistimos alguém fazendo comida de verdade na TV. Se isso tudo não faz de nós vencedores, não sei o que fará. Aposto que nos enforcaríamos se o mundo nos desse uma folga. E agora você acha que talvez deva ver um psiquiatra que o faça sentir-se vivo de novo – bom plano! Basta dizer a quem temos que pagar.

[...]

Bem-vindo ao planeta Terra™
Por favor, não nos pergunte quanto ele vale
Você perceberá que o mundo que encontrou
Está ligeiramente usado
Alguém nos vendeu cada uma das manchas
Se você quiser reclamar
Há uma espaço aberto às 18h
É quando o Cáucaso está ouvindo

[...]

Perceba, tudo não passa de uma questão de tempo e escolha. A fast-food nos permite um almoço rápido o bastante para ser espremido exatamente no tempo que quisermos. Os elevadores economizam um pouco mais de tempo, a Stairmaster™ permite escolher exatamente quando subir escadas. Tempo é algo muito importante atualmente, está se tornando uma doença. Acho que, de certa forma, é mesmo, já que vai nos matar ocasionalmente. Com todo o tempo e dinheiro que acumulamos aos custo dos outros, é de se supor que a entrada para o Inferno seja realmente cara. Por algum motivo, é importante ser o primeiro da fila.

Alguém nos vende Deus™, promoção leve-2-pague-1 com Culpa™
Alguém nos vende Guerra™ e o marketing parece ser o mesmo
Alguém nos vende Medo™ na TV todos os dias
Um formato para cada gosto; se o sabor for o certo, pagamos alegremente

Tudo à venda, tudo à venda, estamos todos à venda

Bem-vindo à única Terra™
Por favor, aproveite seu único nascimento
Você aprenderá a tomar mais do que doa
Comprando cicatrizes com as quais terá que viver
Alguém nos vendeu cada cicatriz
De alguma forma, elas fazem de nós o que somos
Todos queremos aquele espaço às 18h
Mas ninguém está realmente ouvindo

[...]

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Pain of Salvation, Scarsick (2007): Kingdom of Loss

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Click-click

Eis uma letra que tem muita relação com o post anterior: Bullet with a Name (Nonpoint, 2005).

Para mim, fala lindamente sobre sociedade de consumo e a violência lógica e inevitável que a acompanha (embora eles tentem fazer parecer que não é assim). FNORD

Como estou on the mood, a tradução (como sempre, livre) vai de graça para vocês – mas sempre lembrando que a versão original é naturalmente melhor e mais clara.

Bala com um Nome

Minhas intenções estão dispostas para todos verem
Sem remorso pelos sentimentos que trazem
Tenho uma bala com um nome inscrito
Uma bala com um nome

Porque a causa de tudo, a hesitação que você acredita ver
É, na verdade, preparação para a resistência*
Tenho uma bala com um nome inscrito
Uma bala com um nome

Veja todos assistindo e formando seu julgamento
Sobre cada pequeno movimento, cada decisão minha
Como posso ser um indivíduo com o peso do mundo,
Com oito planetas mais a conquistar?
E com tudo acontecendo, disparos estalando
E pessoas correndo em todas as direções
Com as mãos ao alto, rezando para o fim do drama
Flagro minhas mãos procurando dinheiro para gastar

O preço das coisas que preciso
Aumenta a cada dia
Tenho uma bala com um nome inscrito
Uma bala com um nome
O modo como trabalho tanto pelas coisas
Que simplesmente tiram de mim
Tenho uma bala com um nome inscrito
Uma bala com um nome

Trabalho mais que cem mulas lá do México
Sem água, sem nuvens, sem sombra
Mais quente que o Inferno, sem sineta de almoço
Forno vazio de novo, por mais uma opinião ruim
Quer dizer: quem não quer
Carros, dinheiro, fama, atenção
Bares, agrados, jogos, atenção, estrelas?
Engraçado como dizemos que não precisamos
Para logo virar as costas e tentar conseguir tudo

Tudo que dizem sobre mim
E tudo que me fazem precisar
Não é nada quando estão me tomando tudo
Todos que tentam dificultar
E todos que dizem que nunca conseguirei
Não são mais que um nome na bala que miro


* Não faço muita idéia do que exatamente querem dizer na frase original, então inventei qualquer coisa.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

(21) Funeral (Arcade Fire, 2004)

Deve ser a quarta vez que ouço esse álbum e ainda não captei a moral. Não causou aversão alguma, mas também não despertou grande interesse. Creio que ele pertença àquele limbo pessoal onde são jogadas as coisas que "não faço questão de ouvir, mas pode deixar se já estiver tocando".

Para ser totalmente honesto, Neighborhood #2 (Laika) conta com um instrumento nostálgico legal, mas é isso; todo o resto passa sem deixar marcas no coração.

E isso é aproximadamente tudo o que eu tenho a escrever sobre Funeral. Como sobrou bastante tempo, eu fiz um desenho:

Arcade Fire (Michel, 2007, PAINT)

É uma máquina de arcade. On fire. I'm a genius.

(Hahaha.... só agora me dei conta: percebam como há dois buracos para fichas, mas só um controle. I'm a real genius. Anyway, isso é um problema para o departamento de marketing; eles vão saber o que fazer.)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

(14) Bongo Fury (Frank Zappa, 1975)

Ao tentar encontrar coisas parecidas com Jethro Tull, eis que Pandora me mostra Frank Zappa; esse foi o segundo sinal de que deveria ouvir Bongo Fury. O primeiro foi ter perguntado à Renata qual álbum do gajo eu deveria procurar e receber este como resposta. Não é uma incrível coincidência? (Não, não é; a música que tocou na Pandora era de algum outro álbum.)

Confesso que tive medo de ser uma coisa estranha que a Isabel ouve. E mais medo ainda já na metade da primeira faixa. Mas não é que o negócio funciona? Não é um "ao vivo" como fui levado a crer depois de algumas resenhas, com todas as coisas comuns que me fazem não gostar de álbuns ao vivo. Está mais para uma encenação musical insana de piadas internas ininterruptas – tanto que clássicos como "White Dog" e "Ven/tu/ruim" poderiam ser facilmente lançados no meio sem destoarem do conjunto. Parte vital da insanidade parece ser o Capitão Beefheart Maringá-like-or-so-it-seems, que gosto de imaginar como um sobrinho fanfarrão do Lemmy. Ou seja: meu receio inicial era claramente infundado, não há nada de estranho em Bongo Fury.

Como é bastante comum no meu jeito de gostar das coisas, as favoritas acabam sendo as mais feijão-com-arroz, como Poofter's Froth Wyoming Plans Ahead, Advance Romance e Muffin Man. Linda letra tem esta última, aliás:

"The muffin man is seated at the table in the laboratory of the utility muffin research kitchen [...]
He turns to us and speaks:
Some people like cupcakes better. I for one care less for them!
[...]

Girl you thought he was a man
But he was a muffin*
He hung around till you found
That he didnt know nuthin"


É divertido ouvir um álbum em que você precisa prestar atenção aos detalhes e à letra em vez de apenas deixar tocando ao fundo (o último que lembro de ter acompanhado assim foi Be). Mais ainda quando é o tipo de coisa que você gostaria de gravar.

* I mean, maybe he was a dragonman?

sábado, 3 de fevereiro de 2007

(3) Hot Fuss (The Killers, 2004)

Eis que estava no trabalho, cansado de ouvir as rádios de sempre – isso numa época pré-Pandora. Não conheço milhares de bandas clássicas/obrigatórias*, mas não conseguia lembrar de nenhum nome em especial para procurar. Foi quando pensei: "Vou tentar uma dessas coisas estranhas que a Renata ouve", e digitei Killers** na Rádio UOL (cuja qualidade sonora causa inveja aos piores walkie-talkies, mas vá lá). E não é que é bom mesmo, o negócio? Na verdade, eu já conhecia várias músicas através das rádios genéricas de modern rock. Várias mesmo, umas sete; seis em seqüência logo no começo do álbum. Era ouvir e pensar "Ei, essa eu também conheço, só não sabia que era deles!". De fato, senti-me um tanto enganado na minha busca por coisas novas.

Killers tem um quê de datado, no bom sentido. Eu achava que All These Things that I've Done era do começo dos '80; ficava com vontade de procurar mais material da mesma banda sempre que tocava essa música, mas a maioria das rádios genéricas não dizem o nome do que está tocando (bastardas). Somebody Told Me é clássica, especialmente depois de imortalizada pelo Richard Cheese. Com tantas faixas célebres num álbum só, fui direto baixar... er, adquirir por meios alternativos a versão limitada, com alguns bônus. (Eu tenho essa coisa de gostar muito de faixas-bônus – em alguns casos, gosto mais destas que das titulares.)

Parece que a Renata não ouve coisas tão estranhas, afinal. =]
(Mas Arcade Fire ainda não está descendo redondo.)

* Nem mesmo Frank Zappa; veja só, Nata.
** Digitei com maiúscula mesmo; eu sou muito certinho.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Pandeiro Pandora Pandorga Pandango

Seu trabalho é maçante? Você precisa de música constante para acalmar seu impulso assassino sempre que vê um cliente? Já tentou sem sucesso encontrar a rádio online perfeita, que não tenha qualidade telefônica nem anúncios pretensamente divertidos? Está cansado das classificações enganosas que te empurram hip hip por acid jazz e quase qualquer coisa por "modern rock"? Você tem a voz estranha; você é meio viado? [Hmm, pegadinha errada.] Você quer uma rádio que toque apenas o que você gosta? Continue lendo!

Meses de busca contínua finalmente deram frutos: encontrei a rádio online mais linda do mundo. Sabem por que ela é tão linda? Eu vou dizer para vocês: é uma rádio mágica. Toca exatamente o que você gosta, e faz isso através de um procedimento totalmente mágico. Para os leigos em magia, explicarei.

Primeiro passo: escolha uma música que você gosta (pode ser um artista/banda também). Diga para a rádio e ela vai te mostrar as características básicas da dita música. Vai até tocá-la para exemplificar o que está tentando dizer.

Segundo passo: você pensa: "Legal".

Terceiro passo: a rádio sugere outra música de outro artista para ver se você gosta; você diz "sim" ou "não" ou ignora. E ela vai mostrando e mostrando mais músicas. Ocasionalmente, do mesmo artista que originou a seqüência – afinal, você já disse que gosta; não mentiu para ela, certo? (Não minta para ela.)

Quarto passo: provavelmente a coisa já está andando e qualquer comentário adicional da minha parte é desnecessário. Você, porém, pode continuar dizendo para a rádio "Uau, essa música é ótima, toca mais coisas assim" ou "Isso não deveria estar tocando aqui". Como a essa altura você já percebeu que o negócio todo é muito legal e criou uma conta (free; wheee!), tudo isso fica gravado no seu perfil para recuperar sempre que fizer login.

Negócio que contribui bastante para a magia geral é a quantidade de músicas disponíveis. Diz a lenda que há um patrocínio das gravadoras, uma licença especial e tal. Você ouve as músicas na íntegra, de graça. Se você pensa como eu, pensou: "E a pegadinha, onde está?" Sempre tem pegadinha. Mas lembrem-se que eu continuo chamando de mágico mesmo depois de testar e procurar as armadilhas – e encontrei as seguintes:

1ª) Existe um tal limite de vezes por hora em que você pode pular as faixas de que não gosta. O que achei bastante estranho, de fato: quando você diz que não gosta da música, ela pára de tocar e vem a próxima, sem precisar pular, EXCETO se você disser que não gosta logo no começo (como eu fazia com Beatles). Aí ela fica. Se disser que não gosta depois de um tempinho, ela vai embora. (Não perguntem quanto é o "tempinho", testei apenas por um dia.) Uma janelinha diz para você que isso tem a ver com os termos da licença para tocar essas músicas – afinal, é de interesse das gravadoras que você ouça e conheça (e, idealmente, consuma) seus artistas. E tudo bem: depois de alguns cliques, as coisas que tocam são as que você gosta. (Fiquei horas ouvindo uma rádio baseada em Jet. E apenas duas faixas do Beatles vieram me traumatizar.) Os artistas são bem diversificados, não ficam tentando te empurrar mainstream sistematicamente. Exceto se for o que você gosta.

2ª) Vez ou outra pipocam uns anúncios do vácuo, que mudam a aparência do site todo. Nada que cause ataques cardíacos.

Eu poderia guardar tudo isso para mim, mas sou muito legal e vim correndo dividir com vocês amiguinhos.

http://pandora.com/

Feitas as apresentações, resta agora testar os limites. Lets hunt for the really wild stuff.

Dream Theater

To start things off, we'll play a song that exemplifies the musical style of Dream Theater which features hard rock roots, great musicianship, demanding instrumental part writing, meandering melodic phrasing an a dirty electric guitar solo.

Wild stuff. Testei com Megadeth antes e parece que procurar bandas muito peculiares dentro de seu estilo dificulta um pouco o processo. (Nesse caso, começaram a aparecer umas thrashzeiras um pouco thrash demais pro meu gosto.) Mas Dream Theater já é referência básica no estilo.

From here on out we'll be exploring other songs and artists that have musical qualities similar to Dream Theater.

Convenceu ligeiramente. A certa altura, jogou Sonata Arctica e Monster Magnet no meio. Quando começou a tocar Placebo (depois que eu rejeitei algumas músicas), achei que estava desandando violentamente, mas até que havia mesmo algumas similaridades no estilo. Bem poucas, quase imperceptíveis. Na verdade, não tem não; perdeu. Opa. Achou um tal Arena, que realmente está no caminho do que eu esperava. Checando o "Por que você está tocando isso, mesmo?", a rádio me diz que bate com as escolhas que eu fiz – além de várias das características mostradas para o Dream Theater, identificou a predileção pelo "uso proeminente de sintetizadores" dentre minhas aprovações e recusas. (Talvez seja isso mesmo, sei lá.)

Motörhead

Queria alguma coisa suja mas com classe, rápida mas não extrema, com linhas vocais decentes. Comecei pelo Motörhead por falta de idéia mais clara. (Estou testando a facilidade de encontrar coisas de modo indireto. Escolhas banais geram seqüências funcionais e estáveis em poucos minutos, como a minha rádio Jack-Johnson-para-o-horror-(o-horror!)-da-Renata.)

1) Bruce Dickinson, Accident of Birth: perfeito.
2) Brand New Sin, Freight Train: não conhecia, e é legal. I really like this song, play more like this!
3) Exodus, I Am Abomination: no way. Thumbs down.
4) Motörhead, Ace of Spades (Live): também não. Estou querendo achar algo diferente.
5) Jizzy Pearl, Ball and Gag: muito punk. Out.
6) Saxon, Freeway Mad: vozes decentes, vozes decentes, please! Out.
7) Zeke, Crossroads: hahaha... legalzinho. Guitarrista correndo contra o fim do mundo.
8) Metallica, Whiplash: desisto, não há como dizer "Quero vozes mais apresentáveis!" – ou talvez não com poucas escolhas.

Primus

Resolvi pegar pesado. O site ficou quase dois minutos pesquisando para achar a banda, pensei que nem encontraria, mas está lá.

[...] grunge recording qualities, mild rhythmic syncopation, demanding instrumental part writing, extensive vamping and a dirty electric guitar solo.

Sinistríssimo. Segundo a lenda, Primus toca um tipo de música tão específico que o Winamp tem uma categoria só pra banda, afim de evitar o desgaste de tentar enquadrá-la como algum tipo de rock-fusion-progressive-whatever.

1) Smashing Pumpkins, Siamese Dream: ah, coé?
2) Primus, The Heckler (Live): não tenta me enrolar.
3) Livid Colour, Desperate People: de fato, moderadamente insano e suficientemente quebrado.
4) Afi, The Hanging Garden: bastante semelhante, até. Olha o naipe do nome da banda.
5) Little Barrie, Burned Out: eu consigo imaginar um fã de Primus ouvindo isso. (Eu não sou um fã de Primus, então sei lá.) Todas as sugestões tem uma participação marcante do baixo. Isso pode ter alguma relevância, ou eu posso ter citado apenas por falta do que citar.

Shine On (Jet, 2006)

Tão logo me viciei em Get Born (2003), procurei ansioso pelo álbum seguinte do Jet.

"Jet who?"

Jet, caros, é a banda mais relevante de rock inglês old school da Austrália depois de Beatles. [Newsflash: Beatles, segundo fontes seguras, não é da Austrália – o que eleva Jet ao topo dessa categoria tão pouco específica. Não vou mentir para vocês, odeio Beatles; com todas as forças da minha alma e fazendo pactos para odiar mais. Hahaha... ok, não tanto assim. Odeio apenas o bastante para não ouvir voluntariamente.]

Continuando: Get Born é uma obra de um nível sobre-humano de legalzice. É ao mesmo tempo tão despretensioso e inspirado que levaria alguém a crer que a salvação do rock está nas mãos dos australianos. [Eu... não disse isso, disse?] Arrebatado por um negócio tão legal que até hoje não consegui parar de ouvir, naturalmente quis mais. Começou com os b-sides, mas não era o bastante. Eu PRECISAVA de um disco novo, inteiro. Fui me libertando gradualmente desse estágio lembrando todos os dias da regra de ouro da indústria fonográfica atual: se o primeiro álbum é brilhante, o segundo será um lixo feito nas coxas para aproveitar o sucesso do primeiro. Passei a aguardar um novo disco apenas para confirmar essa teoria e conseguir alguma paz de espírito, até que ocasionalmente desisti de esperar. Incidentalmente, quando fui sintonizar Get Born no trabalho, dei de cara com ele: Shine On.

Meu choque só teria sido maior se ao mesmo tempo tivesse conhecido a capa, assustadora. Peço que não se alarmem, e espero que a imagem a seguir não os assombrem em sonhos. Lembrem-se que eles estão longe, separados de nós por muitos quilômetros de oceano.


Logo na 1ª audição (que é sempre a mais difícil), ficou claro que Shine On é bem legalzinho. [Lembrando: "legalzinho" é pior que "legal", mas "bem legalzinho" beats all.] O conjunto é tão uniformemente bom que fica difícil destacar alguma música. Put Your Money Where Your Mouth Is, o primeiro single, é uma boa amostra do que se esperar dos caras. Até achei que começariam lançando às rádios faixas mais facinhas como Eleanor ou All You Have To Do – que são legais também, mas calminhas. A baladinha escolhida para essa função, porém, foi Bring It On Back, também legal. Talvez seja isso que impeça o album de ser tão marcante quanto o primeiro; Are You Gonna Be My Girl? é tão estupidamente irada que vale Get Born por si só. E acho que ainda vou ouvir mais este do que Shine On – mas é sempre bom ter mais músicas quando as pessoas à sua volta reclamam de estar ouvindo as mesmas 13 faixas pela terceira vez seguida.